Piolhos do Canário

O termo piolho é comumente empregado para designar os pequenos animais que vivem às expensas das aves, atacando as plumas, a pele, ou se alimentando do sangue. A sua freqüência, sua importância, merece um lugar à parte. Nós os repartiremos em dois grupos bem distintos: os Malófagos e os Ácaros.

OS MALÓFAGOS

São insetos desprovidos de asas, que são vizinhos muito próximo dos piolhos verdadeiros ou Anopluros. Mas enquanto os piolhos do homem são sugadores de sangue, os Malófagos se alimentam de fragmentos orgânicos; eles são freqüentes na plumagem dos pássaros.

Possuindo garras fortes, eles se agarram às plumas e as roem; eles podem também se prender na pele dos pássaros irritando-os. Os danos à plumagem são pouco aparentes, mas se pegarmos uma pluma por ocasião da muda, e olharmos ao microscópio, nós veremos as bárbulas mais ou menos roídas; e os fragmentos córneos, bem como as dejeções, não são raras sobre as barbas. Quando houver picadas, o sangue escorre, coagula e suja a plumagem; os Malófagos roem não o sangue seco mas também as barbas sujas, danificando a pluma. Nós devemos arrancá-la pra que uma nova possa se desenvolver. Os Malófagos do canário possuem um corpo alongado, medindo 2mm aproximadamente e eles depositam seus ovos na base das plumas.

É difícil de eliminá-lo, mas nós podemos reduzir a sua incidência através de medidas higiênicas, principalmente pela limpeza ou troca dofundo das gaiolas e banhos freqüentes. Quando não possuem uma fonte de água, os canários tomam banho de poeira, borrifando suas plumas, de preferência ao sol, o que elimina um bom número de parasitas. Os inseticidas piretróides, em aerosol ou em pó, são indicados para os pássaros adultos e ninhos. Vários tratamentos são necessários, porque nas profundezas das plumas, os ovos são dificilmente atingidos.

OS ÁCAROS

Eles são parentes das aranhas, e como elas, eles tem, pelo menos no estágio adulto, quatro pares de patas, e pequenas pinças opu quelíceras situadas na frente da boca. Mas o seu corpo é mais ou memos arredondados e formando de uma só peça. Algum destes ácaros vivem de fragmentos animais ou vegetais. Nas gaiolase nos viveiros, eles se encontram mais comumente nos comedouros onde o alimento não é renovado com certa freqüência, e nos biscoitos muito velhos. São eles que reduzem à pó o conteúdo dos comedouros, ao ponto de podermos ver este pó se mover lentamente quando os parasitas estão se desenvolvendo. Ao microscópio, nós vemos uma multidão de ínfimas criaturas, semelhantes à robos de pelos longos. É claro que os pássaros se recusam a ingerir um alimento nestas condições. Portanto, parece que estes ácaros, nesta fase, não são verdadeiramente danosos, a não ser às plumas, contrariamente às formas seguintes, sugadoras de sangue, e que provocam doenças chamadas acariose.

ACARIOSE DAS PATAS

É simplesmente uma afecção da pele, devida a uma parasita, onde a fêmea perfura galerias na pele onde ela põe seus ovos. Os filhotes sobem em seguida para a superfície, se reproduzem e novas fêmeas penetram na pele para a postura: a pele incha, as escamas das patas se espessam e se renovam, os dedos podem se deformar. As galerias não devem ser confundidas com as pústulas causadas pela varíola; a pele é amarelada e não contém pús. Geralmente, somente as patas são atingidas, mas a afecção pode se estender para outras regiões do corpo desprovidas de penas; bico, coxas, uropígio. O pássaro não fica aleijado, mas se ele não for curado, poderá ate morrer. Nós tratamos esta afecção com uma pomada a base de enxofre, alcatrão ou com óleo de Parafina. O contágio é pequeno. Uma boa higiene previne a incidência deste parasita.

ACARIOSE DAS PENAS

É um ácaro diferente do anterior, pode roer a base macia das plumas e atacar a camada de gordura que as protege. As penas pequenas se tornam frágeis e podem cair. A pequena hemorragia que acompanha sua queda torna a sua base rósea. O parasita pode mesmo se introduzir no canal de uma pena. Devemos queimas as penas que caem, e fazer um tratamento com inseticida. É muito raro, mas em criações intensivas, a promiscuidade de um grande número de canários, favorece esta acariose, que juntamente à ação dos Malófagos, expilca a plumagem deplorável comumente verificada em aves vendidas em certas lojas de pássaros.

ACARIOSE RESPIRATÓRIA

Um outro ácaro, muito pequeno, da espécie Sternostoma tracheacoium, pode se instalar nas fossas nasais dos canários e se reproduzir. Isto resulta em problemas respiratórios, que nós chamamos de asma do canário. Na verdade, este termo asma abrange problemas de diferentes origens. Pode-se tratar de uma acariose, mas muitas vezes é uma micoplasmose, e dificilmente seria um problema de origem alérgica ( bastante comum no homem ). As conseqüências dependem da abundância e da localização do parasita. Ele pode passar completamente desapercebido. Mas acontece que as peles larvárias se acumulam e causam incomodo, e daí surgem os espirros. Algumas vezes o parasita penetra profundamente nas vias respiratórias, e se for abundante, nos temos uma doença grave. Deste modo, algumas dezenas de indivíduos podem cohabitar na artéria traquial onde eles aparecem, ao microscópio como pontos negros. Eles provocam a secreção de um muco abundante que se acumula e que atrapalha seriamente a respiração. Outros vão aos pulmões onde provocam pequenas hemorragias onde eles se aderem. Os microorganismos encontram um meio favorável, e aparece então uma pneumonia. O pássaro fica febril, fica em forma de bola, não come mais; a sua morte se aproxima.

A contaminação é baixa, mas ela ocorre através das expectorações. As larvas irão sujara plumagem de outros canários ou os poleiros das gaiolas. Existe também a contaminação através da alimentação dos filhotes, quando as mães atacadas pelos parasitas nutrem os animais jovens.
O tratamento é feito através de inseticidas piretróides em aerosol. O pássaro é colocado dentro de um saco plástico transparente, o que permite seguir o seu comportamento, e dá-se um jato de inseticida. Para evitar qualquer pânico, espera-se que o pássaro esteja calmo; logo após, nós o vemos expectorar enérgicamente, em seguida ele respira mais rapidamente e logo tende a se acalmar. Nós o retiramos do saco, onde ele permaneceu por 2 a 3 minutos. Devemos repetir esta operação alguns dias mais tarde. Nós podemos também aspergir os grãos comalgum inseticida fraco ( Vetenol ) durante vários dias. Caso não haja sinais de melhora, é porque os problemas respiratórios tem outras causas.

Devemos portanto tratar o pássaro enquanto ele estiver ativo. Se nós tardarmos as chances de cura são menores, e poderão também se produzir lesões irreversíveis, que deixarão a respiração ruidosa. Essa doença pode passar desapercebida, talvez em razão de um número pequeno de parasítas, ou ainda da constituição física mais robusta do pássaro.

OS PIOLHOS VERMELHOS

Estes ácaros ( Dermanyssus gallinae ) não ficam permanentemente sobre o canário. Durante o dia eles se escondem nos cantos das gaiolas, nas fissuras, nas molas das portas, nos poleiros perfurados... A noite, eles se dirigem aos pássaros adormecidos, penetrando sob as penas e sugam o sangue; eles se incham, tornando-se vermelhos, daí o seu nome. Uma fêmea importunada pode abandonar a ninhada, e os filhotes poderão ser atacados. O tratamento feito à base de pulverizações com inseticidas, podendo-se polvilhar preventivamente os ninhos. Também podemos usar armadilhas, colocando-se pedaços de pano ou palha de cereais, onde os piolhos irão se esconder; queima-se em seguida. Os poleiros de plástico perfurados devem ser evitados pois se constituem em esconderijo para os piolhos.

O PIOLHO DO NORTE

Estes piolhos ( Ornithonyssus sylvarium ) são pouco diferentes dos anteriores, distingüindo-se apenas pelo fato de proriferarem no inverno, e que eles se reproduzem sobre o canário. O seu tamanho é de no máximo 1 mm. O tratamento contra este ácaro é feito do mesmo modo que para o piolho vermelho.
CONCLUSÃO

Os piolhos dos pássaros podem ser inimigos poderosos e mesmo mortais para os canários. Eles ocorrem mais frequentemente do que se pensa. Os Malófagos causam danos à plumagem os Ácaros sugam o sangue e transmitem doenças graves; alguns mesmo penetram na orelha e causam problemas de equilíbrio ( quedas, cabeça caída ). Os inseticidas piretróides ( inofensivos para os pássaros ), constituem a arma indispensável do criador. Mas na verdade, a melhor maneira de prevenir estes parasitas é a adoção de medidas higiênicas.

Um comentário:

  1. tenho um cánário belga que está com piolho. Bato todo dia seu pulerinho que é uma taquarinha sempre cai piolho. Comprei na agropecuária um remédio para pingar na nuquinha dele diminuiu bastante mas não sumiu,dou banho nele sempre. Por não entender bem o melhor canário que eu tinha morreu por causa de piolhos.estou cuidando desse mas sempre em tem alguns piolhos. Oque faço?

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