Enfermidades que afetam passeriformes: Bouda ou Varíola Aviária

As aves criadas em cativeiro podem sofrer de enfermidades, reprodutor, cutâneo, locomotor, circulatório e neurológico.

Algumas enfermidades săo freqüentes e ocorrem em surtos, outras săo raras e ocorrem em casos individuais esporadicamente.

O aparelho gastrintestinal sofre com enfermidades bacterianas, parasitárias, nutricionais, virais e tóxicas, Na pele os mesmos problemas ocorrem, mas os virais e parasitários săo mais freqüentes.

A bouba ou varíola aviária é causada por um Poxvírus com DNA fita dupla e sua replicaçăo ocorre no citoplasma da célula. Săo muito resistentes no meio ambiente e os Avipoxvírus resistem também ao éter, săo encontrados na natureza em vários sub-grupos, mas apresentam especificidade para cada espécie ou pelo menos gęnero.

A transmissăo do vírus pode ocorrer por lesőes na pele, por partículas nas fezes ou por secreçőes.

Também ocorre através da picada de mosquitos, ácaros e piolhos da pele. As aves que tiveram a doença e se recuperaram tornam-se portadoras, săo resistentes a novas infecçőes, mas podem estar eliminando o vírus.

Os sinais clínicos geralmente incluem dificuldade respiratória, dificuldade na apreensăo e deglutiçăo de alimentos, sonolęncia, perda de peso, diarréia, sensibilidade nas patas e coceira na comissura do bico. As aves podem ser afetadas pelas formas cutânea, diftérica, septicęmica, coriza e tumoral.

Na forma cutânea ocorrem a formaçăo de nódulos ou vesículas com pus nas regiőes desprovidas de penas – ao redor dos olhos, patas e pés. É a forma mais comum da doença em passeriformes. Estas vesículas abrem espontaneamente, secam e formam crostas que descamam durante algumas semanas e năo resultam em cicatriz. Pode ocorrer a contaminaçăo das lesőes por bactérias e fungos nas aves menos resistentes isto altera a aparęncia e o desenvolvimento da doença.

Na forma diftérica as lesőes săo em placas de tecido branco, com necroses que ocorrem na cavidade bucal, língua, faringe e laringe. A ave pode apresentar dispnéia e asfixia por obstruçăo da laringe com a secreçăo do material fibroso das placas de necrose.

A forma septicęmica é a que mais acomete canários, Nesta espécie năo é comum aparecerem lesőes cutâneas e săo observadas lesőes nos pulmőes. Os sinais clínicos săo perda de apetite, eriçamento das penas, cianose, sonolęncia e morte. O poxvírus dos canários freqüentemente causa uma pneumonia descamativa com oclusăo dos capilares, resultando em dispnéia. A maioria das aves morre em torno de tręs dias a partir do aparecimento dos sinais clínicos e a mortalidade varia de 70% a 99%. Em papagaios e araras ocorre enterite diftérica, com necrose do miocárdio.

A forma de coriza em papagaios. Com uma descarga nasal inicialmente clara, evoluindo para fibrinosa e mucosa. Săo acometidos também de conjuntivite com as pálpebras abertas.

A forma de tumores é caracterizada por tumores de pele em canários e adenomas. Geralmente săo nódulos que na forma crônica evoluem para tumores.

As formas cutânea, diftérica e septicęmica podem ocorrer juntas no mesmo pássaro ou serem notadas ocorrendo separadas em diferentes aves no mesmo criatório que tenha um surto da doença.

O diagnóstico em aves mortas ou em biópsia de lesőes, pode ser feito pela identificaçăo de corpos de inclusăo citoplasmáticos eosinofílicos (corpos de Bollinger) característicos nas lesőes de Poxvírus.

Năo existem tratamentos efetivos para o vírus da bouba. As vacinas que existem săo importadas e năo imunizam bem contra cepas presentes no país, além de poderem introduzir novas variaçőes do vírus para as quais nossas aves năo tenham resistęncia.

As aves que apresentarem lesőes, dispnéia ou perda de apetite como sinais clínicos da doença devem ser separadas e oferecido alimento pastoso de fácil apreensăo e deglutiçăo como frutas e farinhadas ou raçőes específicas que possam ser umedecidas. Suplemento de vitamina A e biotina auxiliam na renovaçăo da pele e tecidos do trato digestivo e respiratório.

Pode-se higienizar as lesőes, se năo forem próximas aos olhos, com tintura de Thuya usando um pedaço de algodăo, duas vezes ao dia. Também poderá ser misturada a água durante 12 dias, cinco gotas para cada 50 ml.

Antibióticos e antifúngicos podem ser usados para o tratamento de infecçőes secundárias. Lesőes próximas aos olhos podem ser limpas com água boricada, e tratadas com pomada oftálmica antibiótica tópica.

O tratamento homeopático poderá ser feito com arnica, belladona ou arsenicum no potęncia CH6 ou CH12, nas doses de 5 glóbulos ou 1 gota por litro de água, ou 1 glóbulo por bebedouro. A água deve ser trocada a cada 24 horas. O tratamento homeopático avalia o indivíduo e deve ser acompanhado com bastante freqüęncia. Os remédios năo podem ficar expostos a aparelhos elétricos, nem ao sol, calor ou luz.

O melhor tratamento para a bouba é a prevençăo. Criadouros que desinfetam suas dependęncias periodicamente mantém gaiolas e poleiros limpos, livres de crostas e evitam a entrada de insetos que possam agir como vetores, diminuirăo a incidęncia da bouba em suas aves.

Um levantamento regional ou nacional com isolamento dos vírus presentes poderá levar a fabricaçăo de vacinas autógenas que poderăo ter mais sucesso na profilaxia. Ainda o descarte de aves com infecçăo crônica diminui a manutençăo do vírus circulante no criatório e novos casos tendem a desaparecer.

Foto 1 :

LESĂO DE FORMA CUTÂNEA DE BOUBA EM CANÁRIO BELGA

Foto 2 :

LESĂO CUTÂNEA NOS DÍGITOS DE CANÁRIO BELGA

Foto 3 :

LESĂO CUTÂNEA E FORMA SEPTICĘMICA DE BOUBA

Foto 4:

O CANÁRIO VEIO A ÓBITO APÓS TRÊS DIAS DO APARECIMENTO DE SINAIS CLÍNICOS.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Săo Paulo: Robe. 2001. 522p.

BENEZ, S. M. Bouba Aviária - Prevençăo e Profilaxia. In:

COBRAP, 2003. Capturado em 05 de novembro de 2005. On-line. Disponível na internei http://www. cobrap.org.br/site/ artigos_vis.php?id=58

BENEZ, S. M. Lesőes nas Patas dos Canários Staphylococcose e Strepcoccose: Vocę conhece? ClubeSANO – Sociedade Amadora Nacional de Ornitologia. Capturado em 05 de novembro de 2005. On-line. Disponível na internei http://www.clubesano.com.br/htm/artigos/lesoes_patas.htm

COLES, B. H.; KRAUTWALD-JUNGHANNS, M. E. Self-assess-ment picture tests - Avian Medicine. Missouri: Mosby. 1998. 212p.

HUKKANEN, R.R.; R1CHARDSON, M.; W1NGFIELD, J.C.;

TREUTING, P.; BRABB, T. Avipox sp. in a colony of gray-crowned rosy linches (Leucosticte tephrocotis). Comp Med, v. 53, n. 5, p. 548-552,2003

RITCHIE, B. W.; HARRISON, G J.; HARRISON, L. R. Avian Medicine: Principies and appiication. Abridged ed. Florida: Wingers, 1997.809p.

17 comentários:

  1. É importante sabermos doenças,estou com 2 canarios
    com uma ferida atraz do bico parece na narina

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. O que eu devo fazer e que remédios posso dar para meu passarinho???
    Alexandre-POA

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  4. ai eu tenho um casau mais fais seis mases? mais eu nao consigo choca eles o que eu fasso

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  5. tenho um casal inseparaveis de canarios,eles se amam demais,se eu separar um do outro eles nem cantam mais,acabaram de se casar,ele tem uma saude de ferro,mais ela tem um probleminha,ela fugiu,peguei ela novamente,mais parece que estava sofrendo de falta de ar,ai coloquei ela na casinha dela,coloquei aguinha no biquinho dela,e depois ela voltou a voar,e ficou bem,então com ela eu tenho muito cuidado,ela e ele são meus filhos.amo esses dois com toda a minha vida.

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  6. anderson ; boa noite a todos; tenho um canario belga e as patas do mesmo esta descamando toda e gostaria de saber se a algum remedio que eu possa dar a ele

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  7. Tenho um canário belga e ele está apresentando duas feridinhas entre as penas e o bico, que ele sempre raspa no puleiro. E há três dias ele anda um pouco amoadinho. Será que tem alguma doença.Por favor, me ajudem.

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  8. Tenho um canarinho belga, que era do meu irmao, ele faleceu ai minha mae me deu pra trazer do parana para SP, ele é novo canta muito. Mas estou bastante preocupada com a situação dele, saiu um cascão no pezinho dele e isso ta almentando ja esta saido no outro também. Nunca tive passarinho. Me ajudem por favor.
    E-mail. ciraccampos@yahoo.com.br

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  9. tenho um canario que esta com as patas com picadas de mosquitos,na minha casa tem muito mosquito, agora estou tapando eles com telas,meu macho passei pomada nebacetim na femia tambem,o macho curou,mas a femia nao... oque posso usar nela...meu email é pauloamilabreu@gmail.com, peço que me respondao...

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  10. Ganhei um canario Belga de um amigo e ele esta com um calo seco em um dos pezinho e um caroço muito feio e inchado perto da região anal.Parece um furungo e duro e vermelho e tem uma ferida em cima.O que devo fazer?Devo estourar para tirar o pus?Devo da um anti-inflamatorio para ele?O que devo passa?E quanto ao pezinho a algo que se possa fazer?Meu email e denise-ivanize@hotmail.com.
    Por favor me ajudem.Uma outra observação; as penas em volta do pescoço dele cairam a plumagem esta arrepiada e muito feia;mais ele esta comendo direitinho,bebendo agua e fazendo as necessidades dele normal.E muito ativo e esta começando a querer cantar.Deus os abençoe.Um forte abraço a todos

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  11. meu belga ta com uma bolha saindo do ouvido alguen sabe dizer uq devo fazer mim ajudem

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  12. meu belga comeu o dedao o que devo fazer mim ajude por favor

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  13. tenho um canário que esta co uma carne pra fora no anus não sei oque fazer nem oque é,alguém pode me dar uma orientação,obrigada.

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  14. Meu canário belga está com uma das narinas com um buraco da largura de um palito de fosforo. está normal e até canta. que é isso? como curar?
    Abraço, Rui (valteruiandrade@yahoo.com.br)

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  15. Meu canario esta com um tumor no peito o que pode ser

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  16. meu canario esta com as penas caindo tem mais de 3 meses e nao canta mais o que devo fazer

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  17. Tenho um casal de belgas, e apareceu no macho uma mancha escura no bico, Gostaria de saber o que pode ser. (linodeandrade@gmail.com)

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